sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

História de Viagem - Cidades históricas de Minas Gerais

Passos da História

Ouro Preto, Tiradentes, São João del Rei, Mariana e Congonhas do Campo
Minas Gerais - Brasil


Não foram todas as cidades, mas quando fui em visita a maioria das históricas cidades de Minas Gerais confesso que não estava absolutamente preparado para a carga educativa e emocional que emanava de cada pedra, de cada esquina, de cada estátua.

Por momentos, imaginei como seria encontrar-me com Aleijadinho, Tiradentes e outros habitantes de uma época que representou passos importantes para o desenvolvimento da nossa História.

Viver, mesmo que por alguns instantes, aquele passado, foi uma lição para saber apreciar, ainda melhor, o presente.

Dessa experiência surgiu uma mostra fotográfica, cujas imagens foi um esforço em reconhecimento que devemos continuar em busca daquilo que fez parte da nossa vida e da nossa história.


Quando tiver a chance - não hesite: visite as cidades históricas de Minas Gerais.

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Nota : Este texto reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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História de Viagem - La Paz: a cidade das alturas

Eu estava sozinho, tinha partido à meia-noite de Cochabamba, uma simpática cidade da Bolívia, quando de repente acordei com uma tremenda dor nas têmporas. Respirava com dificuldade e minhas pernas estavam pesadas. Olho para cima e percebo que estava num confortável ônibus. Bem ao meu lado, uma bonita jovem boliviana, baixa estatura, morena e com traços andinos. No seu colo, um garotinho dormia.

Cidade de La Paz, Bolívia. Foto: Levis Litz

A maioria dos passageiros, inclusive a aimará, parecia compartilhar do meu mal estar. Entretanto, não demorou muito para que o ônibus parasse para que pudéssemos respirar um pouco de ar puro. Era a consequência do forte efeito da altitude de mais de quatro mil metros acima do nível do mar. A boa notícia foi que faltavam poucas horas para o fim da viagem.

Daí em diante o trajeto foi mais tranqüilo e estimulante. Havíamos tomado um chá (uma infusão de folhas de coca) fornecido pela empresa. Assim, a chegada na mais alta capital do mundo, La Paz, foi deslumbrante. O Sol estava nascendo e pudemos ver do alto de um imenso desfiladeiro um belo e curioso cenário: os acentuados contrastes das casas e construções coloniais instaladas ao longo de paredões com os modernos edifícios da cidade lá embaixo, no vale. Tudo iluminado, ao longe, pelos raios de sol refletidos pela cordilheira.

Nosso ônibus desceu lentamente até alcançar o vale, no centro de La Paz. Estava um pouco frio, peguei minha mochila e segui até um hotel indicado por um viajante suíço que havia encontrado dias atrás em Santa Cruz de La Sierra.

Mistérios Andinos

Antes de seguir viagem para a ruína arqueológica de Tiahuanaco, uma das mais polêmicas do planeta, devido as controvérsias de sua origem, quis aproveitar alguns dias para passear e conhecer melhor o ritmo urbano de La Paz. Visitei alguns lugares interessantes, um deles a menos de doze quilômetros ao sul do centro, onde de um lado tem-se a visão de montanhas cobertas por vegetações coloridas com tons de verde e marrom num típico clima árido de deserto andino e de outro, encostas com formações rochosas que incitam a nossa imaginação como se fossem paisagens de um outro planeta, ou melhor, satélite - eu estava na região denominada de Vale da Lua.

Para voltar ao centro, como não havia ônibus, resolvi pedir carona, não precisei esperar muito e lá estava eu com aquela sensação de liberdade outra vez, na traseira de um caminhão com o vento batendo no meu rosto. Ao chegar, desci do caminhão e fui agradecer o motorista. Uma surpresa: ele cobrou-me pela carona.

Num ritmo cada vez mais intenso em conhecer uma cultura tão diferente da nossa, continuei minhas andanças pelas ruas ao redor da imponente Basílica de São Francisco, nos mercados de rua que são ótimos para comprar presentes, souvenirs, roupas (mantas e pulôveres) de alpaca, esculturas de cerâmica etc. Fiquei impressionado com a visão da Basílica de São Francisco, com sinos feitos de pedras inaugurada em 1753, em estilo "mestiço". Em frente da basílica, uma enorme escultura de pedra que representa a civilização colonial espanhola, a cultura pré-colombiana e a modernidade.

E foi nesse clima que continuei minhas descobertas, conheci o Mercado da Feitiçaria, na Calle Sagarnaga, onde encontram-se ervas, amuletos, minerais e artesanatos para todos os gostos e cultos num país onde a medicina natural desempenha um importante papel. Curiosamente, enquanto eu conversava com a recepcionista do hotel, um marceneiro boliviano se aproximou e começou a me fazer muitas perguntas sobre a minha comunidade, como eram os líderes políticos e se o povo era amistoso. Enquanto a conversa se desenrolava, percebi que aquele homem era mais culto do que sua aparência transmitia. Quando foi a minha vez de questionar sobre as peculiaridades do povo boliviano e sua ligação com o misticismo, ele me disse que até hoje existe, numa província boliviana, uma comunidade de kallawaias, índios curandeiros que, desde a época dos incas, percorriam sozinhos as aldeias do Império, curando os doentes mediante o uso de remédios naturais e rituais.

Curiosidades pessoais à parte, em La Paz, ainda há muita coisa para ver, conhecer e fazer, mas o mais importante é estar em Paz com a cidade, o resto flui naturalmente. Sinto muitas saudades de lá, adorei!

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História de Viagem - Jerusalém: a cidade da paz

"Chegamos!", disse o motorista do táxi que nos levou de Tel Aviv até Jerusalém. Desembarcamos bem em frente de Jaffa Gate, um dos sete portões das muralhas que cercam a Velha Jerusalém. Rapidamente cruzamos os muros e andamos por uma viela, em meio ao mercado árabe. Uma porta estreita dava acesso ao albergue escolhido para ser nossa base para as visitas nas regiões e cidades mais próximas: Jericó, Qumram, Belém, Massada, Mar Morto e muitas outras. Ficamos hospedados no andar mais alto, acompanhados de outros viajantes estrangeiros - europeus em sua maioria.

A visão da Cidade da Paz, (Yerushalaim), para os judeus, ou A Santa (El Kuds) para os árabes, era estonteante. No momento em que se ouvia os "cantos", isto é, as "orações muçulmanas", através dos alto-falantes espalhados em todas as ruas, criava-se um clima interessante e exótico. Repleta de igrejas cristãs, mesquitas e sinagogas, Jerusalém é uma cidade cheia de contrastes, bem diferente daquilo que se possa imaginar.

Em suas ruas encontram-se: judeus ortodoxos de chapéus e roupas pretas e de todas as facções; muçulmanos sunitas ou xiitas de barba longa com touca branca na cabeça; católicos fervorosos; cristãos armênios; coptos; etíopes; drusos; protestantes de várias igrejas; ortodoxos russos e gregos; testemunhas de Jeová.Cada qual com sua religião, seus costumes, idiomas e hábitos.

Pedras Sagradas

Tido pelos judeus como o lugar mais sagrado do mundo, o Muro das Lamentações é a única parte que sobrou do antigo templo de Salomão, o Justo. Desse lado, os judeus rezam de frente para o muro, do outro, as orações são dos árabes, onde se encontram a Mesquita de El-Aqsa e o Domo da Rocha - santuários muçulmanos. Os homens e as mulheres não podem orar juntos e são separados por uma grade de pouco mais de um metro de altura. Nós não sabíamos disso e a Valesca foi entrando junto comigo no lado reservado aos homens. Um judeu, sem a educação e compreensão que lhe deveria ser característica por
sermos turistas, veio, de forma arrogante, gritando feito uma gralha, nos advertir. É claro que, dessa forma, não entendíamos o que ele queria dizer. Até que percebeu que gritando não adiantava nada e baixou seu tom de voz. Assim, compreendemos o que ele queria avisar: - mulheres não podem entrar por aí, disse em inglês, num forte sotaque hebraico.

Passado o incidente, coloquei o solidéu, o chapeuzinho dos judeus, que era obrigatório,e fui para perto do muro. Notei que ele estava repleto de pequenos bilhetes dobrados, depositados nas frestas das pedras. Faz parte da tradição escrever uma prece a Deus e depositá-la entre as frestas.


A Via-Crúcis
 
Na parte da tarde, nos dirigimos à Via Dolorosa e os lugares onde Jesus sofreu a flagelação e condenação, que se situam na parte árabe. Com indicações de placas "Via Dolorosa", demoramos algum tempo até conseguir completar, passo a passo, todo o percurso que Jesus de Nazaré fez, do julgamento à crucificação. Na hora, percebemos que nenhum livro poderia se comparar a Bíblia como Guia para a história e geografia da Terra Santa.

Embora os estudiosos não tenham a certeza quanto à localização exata do Monte Calvário, onde Jesus teria sido morto e crucificado, é inevitável sentir-se imbuído com o clima misturado de história, religião, ciência e mistério. Foi naquele local que assistimos a uma missa em latim. A emoção estampada nos rostos dos fiéis e o clicar de máquinas fotográficas tornaram o momento inesquecível.

Conhecer Jerusalém não é uma tarefa fácil, são tantos os pontos interessantes que é impossível descrevê-la num só texto e estas linhas servem apenas como um leve vislumbre do que é essa histórica cidade.

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quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

História de Viagem - Áustria: a beleza que desce pelos alpes

 Para quem aprecia as boas e belas coisas da vida, sente-se feliz em conhecer um país que não se envergonha de ser romântico e alegre. Nesse clima, a professora de história, Valesca, e eu, respirávamos o ar que vinha da região dos Alpes austríacos. Tínhamos saído de Munique, Alemanha, sábado de manhã e, pela primeira vez, estávamos a caminho da Áustria, antiga morada de Mozart e cenário do filme "A Noviça Rebelde".

Cercado por vários países: Suíça, Alemanha, República Tcheca, Eslováquia, Hungria, Itália e Eslovênia, a Áustria é um país pequeno na geografia, menor que Portugal e do tamanho da Irlanda, mas grande em beleza. Até 1919 era a parte mais importante do forte império Austro-húngaro. Sem contato terrestre com o mar, possui um formoso rio que corta suas terras - o Danúbio.

Terra abençoada pela música

Estava chovendo, tempo escuro e com muita neblina, mal conseguíamos ver as montanhas cobertas de neve, mesmo assim ficamos fascinados pela beleza diante dos nossos olhos. Chegamos em Salzburg - uma cidade encantadora, especialmente com a música no ar que transbordava de suas escolas e das salas de concerto. Era um perfeito clima de romantismo mesclado à paisagem medieval.

Um vilarejo descampado, povoado por celtas. Assim era Salzburg quando surgiu da exploração de minas de sal, quinhentos anos antes de Cristo. Mais tarde apareceram os romanos que abriram estradas que até hoje servem aos viajantes. No século VIII, Salzburg começou a se desenvolver graças a São Rubert, encarregado de catequizar o povo e que mandou construir igrejas e escolas ao redor de um monastério.

Com os olhos atentos, percebíamos que ali ainda eram conservadas as marcas da religiosidade medieval em sua arquitetura. Entretanto, foi através das inscrições encontradas nos monumentos, estátuas e nas portas das casas, onde viveu e se dedicou à música, que reconhecemos a importância de um dos maiores, senão o maior, gênio da música: Wolfgang Amadeus Mozart. Excelente pianista, para não dizer divino, Mozart destacou-se já aos seis anos de idade e impressionava imperadores.

No dia seguinte, quando os raios do sol timidamente batiam na janela do nosso quarto, pegamos nossas mochilas e subimos as encostas ao redor da cidade. Tínhamos o que queríamos: uma vista mais ampla das montanhas cobertas de neve.

Os Alpes e a neve

Partimos de Salzburg com um certo pesar, mas a emoção de seguir viagem pelo meio dos Alpes foi mais forte que a tristeza da partida. A Valesca, por mais que tentasse, não conseguia descrever a maravilha que eram os Alpes e o que era estar ali, bem pertinho. Viajar acompanhado pelas montanhas cobertas de neve por todos os lados e a visão das casas que pareciam de bonecas nas encostas das montanhas foi simplesmente de tirar o chapéu (tirolês).

Outra cidade que nos deliciamos lentamente por muitos caminhos foi Innsbruck. O céu também era ofuscado pela neve que parecia descer pelas escarpas onduladas dos Alpes austríacos e abrir pequenos espaços para que a montanha, que chega a três mil metros de altura, mostrasse toda a sua beleza. Era um incrível cenário para uma cidade de prédios coloridos e monumentos desenhados no fim do século XVI pela arte barroca.

Para quem quer ficar impregnado pela atmosfera no mais autêntico berço da cultura tirolesa e ver um tirolês a caráter, não há necessidade de ir a um festival folclórico, em poucos passos você dá de cara com um em seu traje típico.

O cafezinho e o amor à arte

Você sabia que o nosso tradicional "cafezinho" surgiu na Áustria? Primeiro os turcos, lá pelo ano de 1680, invadiram aquele país e deixaram uma preciosa influência: a arte de fazer café. Mas a história não parou por aí, os austríacos acrescentaram imaginação e criatividade. A variedade de cafés na encantadora capital Viena é tão grande que não dá para pedir um cafezinho e pronto. Há uma infinidade de deliciosos cafés que devem ser degustados com calma. Assim, nasceu o hábito de se reunir em casas de café.

Caminhar pela cidade de Innsbruck é extasiar-se a cada minuto. Percebe-se de perto todo o respeito que a cidade dedica à arte. As ruas se abrem como um museu vivo. Entretanto, basta virar a esquina para ver o lado moderno de Innsbruck que tem em suas pequenas ruas, boutiques sofisticadas, os últimos lançamentos da moda francesa e muitos equipamentos de esqui. Muito procurada por turistas, especialmente os que apreciam os esporte de inverno, o esqui, naquela região, é muito mais que esporte, é uma paixão que faz do frio do inverno uma fonte de eterna alegria. Alegria que contagia qualquer um que passa por aquelas terras.

Uma boa ideia, pelo menos para as primeiras vezes, é sair para caminhar acompanhado de um amigo. Além da companhia agradável e de ter alguém para fotografá-lo, é uma questão de segurança. Nunca se deve aventurar por um caminho sem deixar avisado a alguém a rota planejada e o tempo estimado para o retorno.

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Curiosidade: Província romana (15 d.C.) e de Carlos Magno (800), no século XI é anexada ao Sacro Império Romano Germânico. Em 1815 torna-se a maior potência da Confederação Germânica. Até 1918 fez parte do Império Áustro-Húngaro, quando foi então desmembrada após sua derrota na Primeira Guerra Mundial. Assim, a Áustria se constituiu como um país apenas em 1919. Em 1938, Adolf Hitler ordenou sua invasão e ela foi anexada à Alemanha. Com o término da guerra, a Áustria voltou a ser uma nação autônoma. Hoje, o padrão de vida dos austríacos situa-se entre os mais elevados do mundo, e sua renda per capita atinge 20 mil dólares anuais. 90% da população austríaca é de origem alemã.

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História de Viagem - Abu Simbel, Egito: a glória de um faraó

Uma viagem de 320 quilômetros pelo deserto para chegar ao grande templo do faraó Ramsés II

Não importa por quantos lugares você esteve ou por onde viajou. O sonho de todos os viajantes é pôr os pés na terra dos faraós. Escrever sobre o país das grandes pirâmides nunca é demais, cada visitante tem sua impressão, uma história diferente e particular para contar. E nós, tendo conhecido o Egito ou não, escutamos atentamente as palavras dos que tiveram o privilégio de estar lá.

Rumo ao sul egípcio

Chegamos em Assuã, sul do Egito, à meia-noite, depois de uma longa e exaustiva viagem desde Edfu. Estávamos famintos, praticamente não comíamos nada desde as sete horas da manhã, quando partimos de Luxor. Chegando na cidade, fomos diretos a um restaurante e comemos a única opção que nos foi oferecida: "pizza de carne moída"... estava maravilhosa, nem questionamos como era feita!

Fomos procurar um hotel e na estação nos indicaram um, não muito longe dali. Entramos por um beco escuro, deparamos com alguns gatos miando na porta de uma casa e quando passamos em frente, vimos alguns egípcios moendo carne, em cima de uma mesa imunda, cheia de moscas e mau cheiro. Imediatamente nos lembramos da pizza de "carne moída", mas, naquela altura, já era tarde demais. Chegamos ao hotel, descansamos merecidamente e no dia seguinte fomos andar de "feluca", um barco típico que navega no rio Nilo. Visitamos a Ilha Elefantina, na outra margem do rio. A Ilha leva este nome porque existe uma formação rochosa que lembra um elefante. Ali existem muitos templos em ruínas e um museu contando o cotidiano do povo egípcio e mostrando peças antigas. Andar pelo rio Nilo de feluca traz muita paz, tranqüilidade, passamos bons momentos.

Na recepção do Hotel nos informaram que um táxi sairia às quatro horas da manhã para Abu Simbel, a razão de estarmos ali: conhecer esse magnífico templo. Perguntamos porque deveríamos sair tão cedo e o recepcionista do hotel nos disse que era por causa do calor do deserto. Abu Simbel fica a 320 km de Assuã, quase na divisa com o Sudão. A viagem toda é feita através do deserto, existe apenas uma estrada asfaltada naquela imensidão de areia... e mais nada.
 
Fatos de uma história não tão antiga
 
Naquela região o homem, devido as suas necessidades, alterou o leito natural do rio. Foram 35 mil trabalhadores egípcios sob a orientação de engenheiros da antiga União Soviética que construíram a "Grande Barragem de Assuã". Levaram cerca de dez anos para concluir uma enorme barragem de concreto de 115 metros de altura e 3600 metros de uma margem à outra. Assim, às custas da vida de cinco mil trabalhadores que morreram na obra vítima de acidentes com explosões de dinamite, entre outros, surgiu o Nasser, o maior lago artificial do mundo, com 500 quilômetros de extensão, sendo 150 quilômetros no Sudão e 350 no Egito. Dezenas de construções antigas do sul do Egito ficaram submersas nas águas do Lago Nasser. Entretanto, em 1964, um pouco antes da inundação, sob a coordenação da Unesco e com 40 milhões de dólares de recursos de diversos países, foi realizada uma impressionante façanha: remover templos e estátuas que foram cortados em 1036 blocos, com um peso médio de 30 toneladas cada e transportados para uma parte mais alta e remontados como um quebra-cabeça. Ali, Ramsés II e sua obra-prima continuam reinando.

O capricho dos faraós

Chegamos um pouco depois das sete horas da manhã e o calor já era insuportável. Levamos água, mas
era quase impossível bebê-la, pois parecia ter saído da chaleira. Abu Simbel é a mais bela e caprichosa construção do mais caprichoso faraó da história egípcia: Ramsés II, o Grande. O templo foi construído para glorificar, através dos séculos, a memória do seu construtor. São quatro estátuas colossais do faraó sentado em seu trono, cada uma com 20 metros de altura, 4 metros de uma orelha a outra e lábios de 1 metro de altura.

O termo faraó significa "a grande morada". Era o responsável, como herdeiro dos deuses, pelo equilíbrio da natureza e o único que podia manter contato com as forças divinas. Para nós, permanecer por poucas horas naquele lugar percorrendo o interior do templo e admirando todos os detalhes, inclusive os dos hieróglifos, foi uma experiência inesquecível.

Às dez horas já estávamos voltando, pois o calor já era sufocante, a temperatura estava por volta de 45 graus. O calor dentro do carro era grande, mas era impossível deixar os vidros abertos, pois o vento era intenso e chegava a machucar a pele. Ao longe avistamos, atravessando o deserto, uma caravana de beduínos e seus camelos, a imagem distorcida por causa do calor intenso... parecia uma miragem, aquelas típicas dos filmes. Finalmente, por volta das 13 horas, chegamos em Assuã, almoçamos e passamos a tarde dormindo no hotel, para nos recuperarmos da exaustão que o calor do deserto tinha deixado, sonhando com a época dos deuses e seus templos maravilhosos.
 
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O mistério da interpretação dos hieróglifos ou das palavras dos deuses, como os antigos egípcios denominavam seus textos escritos, acabou quando o capitão do exército francês Bouchard, em 1799, ao comandar operações de fortificação do forte Saint-Julien a quatro quilômetros da cidade de Roseta, encontrou uma pedra de basalto negro muito dura contendo uma inscrição em três línguas: a primeira em hieróglifos, a segunda em demótico (linguagem popular) e, por fim, a terceira em caracteres gregos e portanto compreensíveis. Os hieróglifos foram decifrados pelo francês François Champolion. A Pedra de Roseta, como ficou conhecida, pode ser vista hoje no Museu Britânico em Londres.
 
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Mostra fotográfica sobre o Brasil vira referência na Bélgica

Foto: Anderson Schneider
 Europalia - Extremes

A exposição “Extremos”, inaugurada em outubro de 2011 em Bruxelas, tem revelado um Brasil de múltiplas caras, cores e formas: que é indígena (com um Yanomami em êxtase ritualístico em foto até então inédita de Claudia Andujar) e ao mesmo tempo  industrial (imagem aérea de Cássio Vasconcelos com dezenas de automóveis perfilados em uma montadora), por exemplo.

A mostra faz parte da 23ª Bienal Europalia, um dos mais famosos eventos de arte e cultura da Europa e do mundo. Dentro da maior exposição de arte brasileira realizada fora do país nas últimas décadas, a fotografia contemporânea brasileira, curada por Guy Veloso e Rosely Nakagawa, tem espaço privilegiado: três galerias no Centro de Belas Artes, o BOZAR, na capital belga, museu onde se concentram as principais exposições do Europalia.

Foto: Cristiano Mascaro. Europalia
São retratos, instantâneos e fotopinturas que exploram esse Brasil desconhecido por parte dos europeus; fugindo do estereótipo do país de belezas tropicais e festas exuberantes, mas que é como seu povo, singular, simples, cheio de contrastes, contraditório, apaixonante, em uma seleção laboriosamente estudada de imagens deAdenor GondimAnderson SchneiderAndré CyprianoAndre VieiraCarlos MoreiraCássio VasconcellosClaudia AndujarCristiano MascaroGustavo LacerdaJosé BassitMestre Julio SantosLuiz BragaMaureen Bisilliat, Paula SampaioPedro LoboRicardo LabastierThomaz FarkasTiago Santana e Walter Firmo.

A mostra “Extremos” fica em exibição até 15 de janeiro de 2012 no Museu BOZAR em Bruxelas e é dedicada a Thomaz Farkas, falecido no inicio de 2011. 

Twitter: @europalia | Sites: www.europalia.be e www.bozar.be 

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sábado, 24 de dezembro de 2011

Erros da imprensa - uma viagem além da realidade

Equívocos publicados na área de turismo, viagens e aventuras podem conduzir leitores para caminhos bem tortuosos

Quando escrevo procuro transmitir dicas, experiências e informações sobre determinados lugares do planeta para que sirvam de inspiração para um roteiro ou até mesmo para o simples prazer de ler. Todos os lugares e regiões intitulados em artigos assinados por mim foram previamente visitados.

A realidade fez parte de todos os relatos. O rumo que sempre tomei foi o de contar as coisas como elas aconteceram e os casos como se passaram. É claro que, por mais cuidado que o jornalista tenha, sempre existe o risco de cometer um erro que, às vezes, vão longe demais.

Nesta matéria pode-se perceber alguns exemplos de erros em diversas revistas e jornais que reuni e que foram publicados, inclusive de entrevistas que dei sobre minhas viagens. Talvez algum leitor desinformado tenha sido ludibriado ao acreditar numa viagem que está muito além da realidade. Por isso, leve sempre em consideração uma máxima que aprendi num país árabe: "Acredite em Alá, mas amarre seu camelo".

-> PERCORRER O PÓLO SUL DE MOTO

Publicação: "casal retorna de viagem ao Uruguai e prepara roteiro para percorrer o Pólo Sul." (Curitiba/PR, 31.jan.98)

Comentário: em nenhum momento foi dito pelo casal de viajantes que iriam ao Pólo Sul. No entanto foi manchete de jornal.

-> A LARVA DE UM VULCÃO

Publicação: "...as fantásticas ruínas romanas de Pompéia, a cidade dizimada pela larva de um vulcão e trazida à superfície em 1959." (São Paulo/SP, ago.99)

Comentário: o engano foi escrever larva (aquela forma pós-embrionária que se nutre por si, ou seja, aquele "projeto de inseto" nojento) ao invés de lava (magma em fusão que é expelida pelos vulcões em atividade).

-> XL DA YAMAHA

Publicação: "...a bordo de uma moto XL, da Yamaha, os viajantes percorreram 4 mil quilômetros visitando a região sul do Brasil e Uruguai." (Curitiba/PR, 31.jan.98)

Comentário: a motocicleta XL é um modelo da Honda e não de sua concorrente Yamaha

-> TORRES DO ACONCÁGUA

Publicação: "...de tirar o fôlego: a vista de quem está na base do Aconcágua...." (São Paulo/SP, 4.dez.98)

Comentário: essa frase está se referindo ao Aconcágua, mas a fotografia publicada é dos picos do Parque Nacional Torres del Paine (sul da Patagônia Chilena)

-> CEM QUILÔMETROS EM TRÊS ESTADOS

Publicação: "...eles percorreram ao todo 100 quilômetros de praias em três Estados (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul." (Curitiba/PR, 4.fev.98)

Comentário: ao todo, foram percorridos cerca de dois mil quilômetros e não cem, como afirmado. Só a Praia do Cassino no Rio Grande do Sul possui 245 quilômetros de extensão que também foram percorridos pelos viajantes.

-> ITÁLIA NO EGITO

Publicação: "Alexandria tem um "clima" europeu marcante nos restaurantes, cafés e lojas. Cenário das paixões deCleópatra e Marco Antônio, outro atrativo da cidade são as fantásticas ruínas romanas de Pompéia." (São Paulo/SP, ago.99)

Comentário: neste texto há um erro feio de geografia: as ruínas de Pompéia situam-se na Itália, próximas a cidade de Nápolis (Europa) e não em Alexandria, Norte do Egito (África).

-> 800 FOTOGRAFIAS PARA EXPOSIÇÃO

Publicação: "os aventureiros percorreram 4 mil quilômetros durante 30 dias. As 800 fotos serão expostas." (Curitiba/PR, 4.fev.98)

Comentário: 30 fotos fizeram parte da exposição "Praias" e não 800. Na época não havia espaço em Curitiba em que acaberiam 800 fotos do tamanho 30 x 40 cm para serem expostas.

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quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

História de Viagem - Dahab, Egito: uma bela paisagem submarina

 

Atravessando a fronteira, saindo de Taba em Israel e entrando no Egito. Após passarmos pelas polícias fronteiriças pegamos um ônibus em direção à Nuweiba para uma rápida parada em visita aos amigos Othmar e Barbara, suíços que tínhamos conhecido em Eilat meses antes. Conversamos um pouco e seguimos viagem. Algumas horas mais tarde ouvimos o motorista árabe dizer: "chegamos".

Assim, pegamos nossas pesadas mochilas e descemos da carroceria do caminhão. Imediatamente fomos cercados por beduínos (nativos) que queriam levar hóspedes para suas "aconchegantes pousadas". Foi desta forma que entramos em Dahab, uma acolhedora aldeia de beduínos a beira do Mar Vermelho. Fomos, então, procurar um lugar para descansar e não foi muito difícil encontrarmos um cômodo, que tinha apenas dois colchões no chão, sem janelas, tudo muito simples. Em toda a aldeia os aposentos eram assim. Sem demora, nos instalamos e saímos para jantar.

Dahab se apresentou muito interessante, só havia luz elétrica nas lojinhas e restaurantes, onde se vendia artesanato típico e alimentos, tudo bem rústico. Na pousada onde estávamos e em todas as outras, não havia luz nos bangalôs, era tudo iluminado com velas, as quais nos deram, quando chegamos. Tudo era muito diferente, bastante antigo, fazendo-nos pensar que vivíamos em outra época. No restaurante que entramos para jantar, havia tanto tapetes no chão quanto nas paredes. Sem cadeiras, tivemos que sentar no próprio chão em torno de uma mesinha que ficava a 30 cm de altura. O garçom, que também parecia sair do século passado, nos trouxe o cardápio. Enquanto escolhíamos o que comer, comentamos entre nós que havia um número exagerado de moscas naquela região. Fizemos o nosso pedido e um pouco antes de sermos servidos, para nossa surpresa, o garçom serviu a cada um de nós, um mata-moscas. Agora, tente imaginar a cena: enquanto você come a sua macarronada com uma mão, espanta as moscas com a outra! Já era bem tarde, após a peculiar ceia noturna, nos recolhemos.


O dia seguinte seria pleno de descobertas e estávamos ansiosos em mergulhar nas famosas águas cristalinas daquelas famosas paragens. Amanheceu! Fazia bastante calor, vimos muitos camelos sentados "admirando" a praia, onde encontravam-se várias "tendas" e lojas para alugar equipamentos de mergulho. Alugamos um e fomos mergulhar. Realmente é muito difícil explicar a grandiosidade e a beleza da fauna marinha que estava ali, bem a nossa frente: centenas de peixinhos, todos coloridos, de vários formatos, alguns com listras, outros com faixas cintilantes, de todos os tamanhos e cores! O mar da região é fantástico, a água é muito transparente, parece um aquário gigante. Os peixes permanecem entre os corais, que estão a apenas 20 metros da areia da praia e, logo após os corais, existe um abismo, nem se enxerga o fundo do mar e é por aí que a gente fica nadando, observando toda aquela maravilha. É um mundo cheio de novidades para nós, simplesmente fascinante! A Valesca, que não sabia nadar muito bem, ficou o tempo todo mergulhando naquele fundão e não sentia medo algum. "É um espetáculo tão lindo, que acaba espantando o medo. Eu me senti o próprio Jacques Cousteau", comentou depois.

O observatório submarino e aquário que visitamos dias atrás, em Eilat, Israel, era interessante, mas não se comparava a Dahab, onde você também pode fazer parte do cenário apenas mergulhando. Passamos dois dias nadando e mergulhando, era simplesmente demais. Não cansávamos de apreciar tanta beleza até que, no terceiro dia, meu corpo não resistiu à alimentação egípcia e adoeci. Fiquei repousando o dia todo sem forças e nem vontade para fazer qualquer coisa. Sorte minha que naquela época não tinha assistido o filme "O céu que nos protege". Teria sido deprimente. Para quem assistiu, digo que vivi situação bem semelhante ao do personagem do filme, a diferença é que estou aqui para escrever esta história real. Então, o tempo em Dahab começou a piorar, o céu estava cinzento e ventava demais, parecia que o mau tempo se prolongaria. Aos poucos fui me restabelecendo e assim que pude colocar minha mochila nos ombros, partimos - deixando para trás esse insignificante ponto no mapa, mas que para nós significava um grande presente da natureza, uma lembrança realmente inesquecível. Quatro dias depois da chegada em Dahab, já estávamos a caminho do sagrado Monte Sinai - dos 10 Mandamentos.
 
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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

História de Viagem - Cabo Polonio - Uruguai: um caminho para a natureza

Cabo Polonio - Uruguai. Fotos: Levis Litz
É simplesmente irresistível trocar o cotidiano da vida urbana pela emoção de uma viagem. Ao combinar as aventuras com belas paisagens e custo baixo torna-se fácil nos lançarmos ao mundo. Com tudo muito bem planejado e prepararado para enfrentar os limites que as dificuldades nos impõe, decidimos, Valesca e eu, visitar Cabo Polonio, em Rocha, no Uruguai.

No início, a nossa intenção era seguir viagem de motocicleta de Curitiba, Paraná, onde residimos, até Montevidéu, Uruguai. Mas as chuvas constantes, ventos fortes e estradas interditadas só nos permitiram chegar em Cabo Polonio.

No Chuí - onde começa ou termina o Brasil

Embora o céu estivesse amedrontador e nuvens negras (cúmulos nimbus) se formassem sobre nossas cabeças, não nos deixamos intimidar. Logo bem cedo, numa manhã de verão, em janeiro, Valesca e eu tomamos um reforçado café. Quando a chuva diminuiu, cruzamos a fronteira do Brasil e Uruguai, no Chuí.

O Uruguai, naquela viagem, foi o trigésimo terceiro país em que colocávamos nossos pés. A estrada no Uruguai era ótima, os acessos às praias também, o que nos incomodava um pouquinho era a água gelada da chuva entrando na bota e lentamente tocando a ponta dos pés até atingir o calcanhar (as botas e luvas "impermeáveis" que tínhamos comprado até que resistiram ao máximo, mas sucumbiram por completo).

Viajamos assim por cento e dez quilômetros em território estrangeiro até que paramos defronte uma placa que informava: "Cabo Polonio - 5 km - Trecho intransitável para veículos". Perguntei a um rapaz, que vinha em sentido oposto, qual era o grau de dificuldade da estrada. Pelo relato "desanimador" dele pensei: "pior que a Estrada no Inferno, no Rio Grande do Sul, onde percorremos 130 quilômetros em dez horas, não deve ser. E agora são apenas cinco quilômetros". Decidimos ir.

O principal obstáculo a ser vencido era a areia muito fofa, não havia alternativas. Logo no primeiro quilômetro, vi outro motociclista que desistiu de tentar. Naquele trecho a nossa moto começou a ziguezaguear sem parar e jogava areia para todos os lados. Lentamente, conseguíamos avançar e às vezes tínhamos que descer da moto e levantá-la sustentando parte do seu peso. A motocicleta era uma Honda XL-125. A minha habilidade e experiência como piloto foi constamente exigida. Um senhor montado a cavalo passou por mim faceiro e tranquilo, acenou e mostrou um largo sorriso ao ver minhas manobras no areião com o meu "cavalo" de aço.

Reserva de lobos-marinhos

Cabo Polonio é um lugar muito acolhedor. Surgiu com a construção de um farol que não lograva evitar naufrágios. Seu nome nasceu devido a um naufrágio, em 1700, de um navio proveniente de Cádiz, Espanha - o Cabo Polonio. Com casas típicas e sem luz elétrica, o vilarejo é convidativo. Possui uma certa "magia" no ar. A península, em que se encontra, é bela e agreste e os molhes à beira-mar são formados por pedras de granito que ficaram arredondadas pela ação das ondas. Frente a ele existe o arquipélago de Torres, também de granito, integrado pelas ilhas Rasa e Encantada que tornaram-se refúgios para os lobos-marinhos que fogem das águas geladas da Antártida.

Ao entrar no vilarejo, um cão enorme veio em nossa minha direção latindo. Não sei se foi para nos dar as boas-vindas ou para nos intimidar. Imediatamente parei a moto e ele parou. Liguei a moto e ele avançou. Sua dona nos acudiu a tempo de evitar um "desastre" internacional (risos). Um pouco mais à frente, em nossa direção, veio outro cão, um doberman. Daí me dei por vencido, parei a motocicleta ali mesmo, passei a corrente nela e seguimos o resto do trajeto a pé.

Procurando pelos famosos lobos do mar, bem próximo às pedras, à beira-mar, olhei atentamente e não vi nem um filhote de siri, quanto mais um lobo ou elefante-marinho. "Que coisa, tanto sacrifício e nem um lobinho", pensei! Assim, enquanto isso, a Valesca dava um passeio pelas redondezas. Resolvi fotografar o Farol, a cerca de trezentos metros dali. Ao me aproximar da construção, no alto da colina, olhei para o mar e vi entusiasmado centenas de lobos-marinhos deitados entoando seus coros nos rochedos.

Fiquei parado olhando admirado. Feliz por estar ali e fazer parte daquela natureza como espectador. Fui tirando minhas fotos. Ao me preparar para ir embora, percebi que três pessoas estavam distantes observando alguma coisa. Meu faro de jornalista e repórter fotográfico não me enganou. Sem saber o que era, em meio a chuva fina, com a máquina fotográfica, saí feito um louco, correndo e escorregando entre as pedras para chegar até lá. Logo vi a razão da pequena aglomeração, era um filhote de lobo-marinho desgarrado. Sem demora e sem incomodá-lo me aproximei o mais perto que pude para registrar. Sobre a pedra, o filhote parecia posar para as fotos. Após alguns minutos, agradeci a ele as poses e satisfeito como uma criança retornei para a motocicleta. Não é que ele se tornou a logo do meu site/portal Fotos e Rumos?  (www.FotoseRumos.com). O apelidamos de "Poloninho".


Uma aventura que valeu a pena

No caminho de volta, enquanto eu me afundava nas areias fofas da estrada, a chuva veio com tudo, muito forte e muito pesada. Algumas pessoas que passaram por mim num veículo com pneus com mais de dois metros de altura, ficaram me observando. Parecia que nunca tinham visto um motociclista, no meio do nada, num areião infinito, todo encharcado, com sorriso nos lábios e feliz da vida por ter descoberto mais uma trilha para a natureza. O meu dia estava ganho.

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sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

História de Viagem - Glaciar Perito Moreno: um gigante de gelo

Glaciar Perito Moreno. Fotos: Levis Litz

Depois da curva, um espetáculo de gelo. Surge, então, o Glaciar Perito Moreno. O ponto alto de uma viagem de 40 dias pela Patagônia e Terra do Fogo. Valesca, Milano, um amigo italiano e eu decidimos ir juntos num microônibus para El Calafate, uma pequena cidade ao sul da Argentina. Durante a viagem, notamos que alguns brasileiros estavam no interior do veículo. Para nossa surpresa, eram brasileiros de Curitiba: Rita, Angelo, Cris e Cléo. Não demorou muito para que a viagem ficasse mais empolgante e alegre. Para complementar, outros três chilenos: Luigi, Pato e Jaime.

A curva dos suspiros

Partindo de El Calafate, percorremos cerca de 80 km até começarmos a subir uma estrada. "Antigamente havia passeios de helicópteros sobre o Glaciar, mas o barulho espantou todas as aves da região. Atualmente, isso não é mais permitido e aos poucos os pássaros estão retornando", revelou Ivan, o nosso motorista que gostava de contar histórias e que nós, atentamente, ouvíamos. "Uma das curvas a seguir é chamada de Curva do Suspiro", complementou. "Por quê?", perguntei. Não levou mais que alguns segundos para que a resposta viesse em forma de um suspiro coletivo. Todos ficamos deslumbrados com a primeira vista, embora distante, de Perito Moreno.

O Glaciar, de longe, por coincidência, lembra um doce: o suspiro (merengue). De perto, nós é que acabamos suspirando diante de sua beleza e grandiosidade: uma geleira de cor azul com 60 metros de altura acima do nível da água e outros 120 metros submersos. Um cenário constituído pela grande geleira, o Lago Argentino e a vegetação verde das montanhas vizinhas.


A herança das eras glaciais da Terra
As geleiras são reminiscências das eras glaciais do nosso planeta. Um glaciar é uma enorme massa de gelo azulada que se forma lentamente por diversas camadas de neve que, sob pressão, foram se acumulando a partir dos topos das montanhas. Ao longo de milhares de anos esse gelo, com o enorme peso adquirido, rompe-se formando um tipo de vale entre as montanhas,o denominado ventisquero. O aquecimento crescente da Terra contribui para o desaparecimento das geleiras, que diminuem em cada pedaço que se desprende de sua massa.

As faces do gelo

Nosso grupo resolveu se aproximar do Glaciar. Entramos num barco e navegamos em direção à grande muralha de gelo azul. Um glaciar pode assumir vários matizes. O gelo glacial puro é azul, entretanto pode adquirir outras cores ao se misturar com resíduos minerais de rochas próximas. Mesmo em pleno verão ficar do lado de fora do barco, exposto ao vento gelado que sopra dos Andes que podem chegar a 60 km por hora, é desagradável e pode proporcionar uma incômoda dor de ouvido. Mas a vontade de estar um pouquinho mais perto da Geleira foi maior. Foi realmente compensador. Quanto mais perto, mais detalhes podíamos ver. Não cansávamos de admirar aquele paredão de puro gelo.No alto, várias torres davam origem a cenários azuis de gelo: círculos, buracos, fendas, pontas, enfim, formações que alimentavam a nossa imaginação. Uma adolescente ao ver um dos picos mencionou que lembrava a cabeça de um urso.

O som do trovão

Embora a embarcação tenha se aproximado bastante do Glaciar, não chegava a menos de quinhentos metros de distância. A aventura de estar perto de um glaciar tem que ser muito cautelosa. De tempos em tempos blocos de gelo desprendiam-se da geleira provocando um estardalhaço. Há casos de pessoas que foram atingidas por estilhaços do gelo. O som dos blocos que se soltam das geleiras impressiona e, ao mesmo tempo, assusta os mais intrépidos. O ruído parecia a de um trovão sobre nossas cabeças, entretanto é um espetáculo inesquecível que chega a nos hipnotizar. Depois, parecíamos crianças, na procura incessante de alguma parte que se rompa. A pergunta mais comum era: "você viu aquilo?".

No fim do passeio, para quem queria espantar o frio, era só pegar um pedacinho do gelo de Perito Moreno, estimado em mais de 20 mil anos, e tomar com um uísque de 12 anos. Isso sim, é uma comemoração em alto estilo.

Para quem tem o interesse em conhecer esse lugar maravilhoso é bom saber que o Parque Nacional Los Glaciares, está localizado no sul da Argentina, quase divisa com o Chile. Foi criado em 1937 e declarado Monumento Natural Mundial pela Unesco. O gelo do Glaciar Perito Moreno possui mais de 20 mil anos e 5 km de largura por 35 de comprimento, mas devido ao aquecimento global, o Glaciar está diminuindo a cada ano. Ainda é possível fazer caminhadas sobre o Glaciar, desde que se esteja devidamente equipado e com o acompanhamento de um guia especializado.
 
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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Dica para fotógrafos - A Chrome Bags apresenta mochila especial

Niko Camera Bag chega ao Brasil com divisórias inteligentes para fotógrafo urbano, amador ou profissional


A nova Niko Camera Bag
Foto: Divulgação

Há alguns meses no Brasil, a marca de mochilas norte-americana Chrome Bags apresenta um novo modelo, voltado para fotógrafos. A Niko Camera Bag já pode ser encontrada na loja virtual da Labici (www.labici.com.br - com entrega para todo o país) e Spokes (Rua Augusta, 1492, loja 12, São Paulo - SP).

O modelo tem as mesmas características das demais mochilas da marca de São Francisco, com muito estilo, funcionalidade e durabilidade. "Esta bag foi desenvolvida para os fotógrafos, profissionais e amadores, transportarem sua câmera de forma bem protegida e ao mesmo tempo com estilo", comenta Guga Santos, representante da marca no Brasil.


Modelo tem estilo,
funcionalidade e durabilidade:
características da marca Chrome
Foto: Divulgação

A Niko Camera Bag tem 39,37 cm de largura, 22,86 cm de altura e 15,87 cm de profundidade, com capacidade para 11,5l e peso de 1,13 kg. A mochila possui estrutura interna que não é fixa e se ajusta aos vários tipos e tamanhos de câmeras, lentes e acessórios. As tiras de velcro também permitem levar um tripé pequeno.

"Como a marca tem o público urbano como alvo, especialmente ciclistas e skatistas, a mochila ainda vem com uma alça estabilizadora para quem estiver andando de bike ou skate", ressalta Santos.

O preço da Niko Camera Bag é de R$ 395.

Informações sobre a Chrome Bags, acesse:
http://www.chromebags.com.br/
http://www.facebook.com/#!/pages/Chrome-Bags-Brazil/102556749836749 http://twitter.com/chromebagsbr

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História de Viagem - Os Guardiões dos Mares

Construídos para orientar os navegadores,
os fachos de luz lançados pelos faróis
indicam o caminho das águas

Farol de Santa Marta - Santa Catarina. Foto: Levis Litz

Quando se viaja pelo litoral do Brasil, um dos pontos mais interessantes onde se escortina a vista panorâmica mais completa e fascinante, encontramos um farol. Belos e soberanos, colocados em lugares estratégicos, seu esforço heróico para manter a chama acesa noite adentro foi sendo lentamente sufocado pela tecnologia.

Das fogueiras, vieram as lanternas. Depois, surgiu o primeiro grande farol da História em 3 a.C, na Ilha de Pharos, na baía de Alexandria, nos limites do Rio Nilo, Egito. Valesca e eu estivemos ali, mas nada havia, pois afinal ele acabou sendo destruído por um terremoto em 1343.

Farol em Fortaleza. Foto: Levis Litz
 O Brasil, a partir de 1850, passou a contar com tecnologia francesa para seus faróis. Um equipamento projetado pelo francês Augustin Fresnel, em 1822, cujo sistema de lentes de cristal era capaz de concentrar os raios luminosos em fachos superpotentes.

Atualmente, cada farol emite um sinal de cor, número e intervalo de piscadas diferentes. Não há dois faróis iguais no país. Tecnologias de navegação via satélite poderiam abolir os faróis, mas, no mar, acima de qualquer avanço tecnológico, os faróis resistem como símbolos de um certo romantismo. É a luz de segurança para as pequenas embarcações que navegam em nossa costa e ponto de parada para os viajantes em terra.

Entre o sinúmeros faróis que o litoral do Brasil possui, destacam-se vários: no Paraná há o Farol das Conchas, na Ilha do Mel, que foi também cenário do filme brasileiro "A Ostra e o Vento", estrelado pelo ator Lima Duarte. Todo feito de ferro fundido, o Farol foi construído em 1872 na época de D. Pedro II. Mantido pela marinha, ainda cumpre a missão de orientar os navegadores que cruzam a Baía de Paranaguá.

Em Santa Catarina, há o Farol de Santa Marta (Laguna - SC), um farol imponente, sua escadaria de 142 degraus leva até o alto da torre, de 29 metros de altura. Construído por franceses em 1891, ainda mantém as lentes originais que ampliam os lampejos de luz que chegam a alcançar 92 quilômetros de distância para orientar os navios que se aproximam do Cabo de Santa Marta.

Farol no Morro dos Conventos - Araranguá, SC.
Foto: Levis Litz
No norte do Rio Grande do Sul, em Torres, encontramos o Farol Torres, construído em 1952, de 46 metros de altura. Do morro onde está, parece um vigia atento que observa as praias extensas, com dunas e lagoas. Já no extremo sul, no marco divisório entre o Brasil e o Uruguai, há a Barra do Chuí, onde desemboca um arroio com o mesmo nome guarnecido pelo último sentinela brasileiro, o Farol do Chuí, de 30 metros de altura, construído em 1910.

Existem, ainda, outros faróis na costa sul, como o Farol do Morro dos Conventos (SC) e o Farol da Solidão (RS) que dominam a paisagem e sinalizam a magia. Vale a pena admirá-los quando nos encontramos com eles. Cercados pela natureza bruta, são verdadeiras testemunhas de histórias de aventureiros que viajam pelos mares ou pelas areias que os cercam.

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Curiosidade: o mais famoso farol do mundo, considerado uma das sete maravilhas do mundo antigo, é o Farol de Alexandria, construído por Alexandre, o Grande, conquistador macedônio. Construído no Egito, no século III a.C., foi estruído por um terremoto, no século XIV. No Brasil, o mais antigo é o Farol da Barra, construído em 1698, é o símbolo da cidade de Salvador. O farol mais alto do mundo é o Yokohama, no Japão, com 106 metros. O mais alto do Brasil fica em Touros, no Rio Grande do Norte, é o Calcanhar, com 63 metros.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

História de Viagem - Berlim: uma cidade dividida ao meio


Berlim - Fotos: Acervo/Levis Litz
 "Espera aí - uma dúvida!", disse alguém dentro do carro, enquanto eu dirigia a caminho da capital da Alemanha. "Se Berlim está dividida em Oriental e Ocidental, como é que estamos cruzando a fronteira da Alemanha Ocidental com a da Oriental e ainda nem estamos tão perto da cidade?", finalizou. Com essa dúvida levantada, acreditávamos que Berlim estaria bem na fronteira, mas não tardou para percebermos que Berlim Ocidental encontrava-se por inteiro no lado da Alemanha Oriental.

Era em torno de oito horas da noite. Estava escuro. De repente, uma fila de carros, cerca de arame farpado, militares e veículos que estavam sendo abordados. De um lado da pista, carros sendo desmontados, cães policiais à procura de algo e um clima, que só tínhamos visto nos filmes da Segunda Guerra Mundial, baixou sobre nós. Estávamos aguardando a nossa vez: dois gaúchos de Lajeado (RS), Deko e Alemão (o apelido era mera coincidência), Valesca e eu.

Muro de Berlim antes 9 de novembro de 1989

Chegou a nossa vez

Tivemos que sair do carro, pediram para abrir o bagageiro, verificaram nossos passaportes e perguntaram se estávamos carregando drogas. Mesmo não tendo nada a temer, há circunstâncias que deixam qualquer um nervoso. Valesca e eu tínhamos comprado o carro, um Lada Zastava, uma semana antes em Utrech, Holanda. Imagine se houvesse uma irregularidade que desconhecíamos! Não demorou muito para evidenciarmos isso. O Deko, que tinha estado em Israel, levava com ele uma pequena pedra colorida como recordação do Mar Vermelho. Os militares alemães desconfiaram. Foi o motivo necessário e suficiente para revistá-lo completamente, dos pés a cabeça. Nada encontrado - tudo certo, voltamos a rodar pela auto-estrada, mas não era permitido sair da rodovia principal até chegarmos em Berlim, o que durou algumas horas.

Depois de cruzarmos por cinco barreiras militares fortemente armadas, vimos um muro com cerca de três metros de altura. Sua história começou em 1961, na divisão de dois lados: oriental e ocidental. Do lado ocidental, o muro estava completamente pichado, enquanto que do outro lado - o oriental, estava pintado de branco, protegido com arame farpado e guardas em alerta. Outra referência que vi em Berlim foi a mais famosa avenida da cidade, a Kurfürstendamm, também chamada de Ku’dam. Na celebração dos seus cem anos de existência, em 1986, o Coro dos Meninos Cantores de Schöneberg cantava: "Ohne Ku’dam kein Berlin", que significa "sem a Ku’dam Berlim não existe".

Praça Marx-Engels - Alemanha Oriental

Do outro lado da Cortina de Ferro

Instalados em Berlim Ocidental, conseguimos uma permissão para ficar 24 horas no lado comunista. Caminhamos pelas ruas de Berlim Oriental sob uma garoa fina e chata. Sem outdoors e produtos do ocidente, uma enorme vitrine de um Shopping Center, nos chamou a atenção. Estava repleto de tênis - tipo conga - todos absolutamente iguais e com a mesma cor, azul escuro. Diferenciavam-se apenas no tamanho. A cada esquina que virávamos, observávamos prédios com marcas de metralhadoras e fuzis. Berlim teve mais de 80% de seus prédios destruídos durante a Segunda Grande Guerra. Tendo sentido um pouquinho do gosto de como seria viver sem liberdade, deixamos a Alemanha Oriental com a esperança de que um dia o muro deixasse de representar uma das maiores vergonhas da história da humanidade. Fato que ocorreu
exatamente 10 dias depois que partimos de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

Uma cidade sem limites

Valesca e eu retornamos várias vezes a Berlim depois da unificação e presenciamos o renascimento de uma cidade e seu esforço para voltar a ser uma das mais coloridas e vigorosas cidades da Europa. Berço de muitos escritores, pensadores e músicos, Berlim, atualmente, é uma cidade que, do ponto de vista cultural e artístico, não tem limites: dezenas de teatros e museus, mais de uma centena de cinemas e outros tantos de galerias, bibliotecas, restaurantes, bares e discos que não têm hora para fechar. Diferente de muitas capitais da Europa, o lado noturno de Berlim é sempre uma criança, onde toda hora é hora para começar a viver.

Para o visitante, Berlim pode ser explorada aos poucos, seja com uma caminhada na avenida cosmopolita de Kurfürstendamm, seja pelos pontos históricos mais importantes. Uma visita ao coração da cidade é ideal para ver aconstrução sacra mais antiga de Berlim: a Igreja de São Nicolau, erigida em 1320. Outra sugestão é dar uma chegadinha a um museu. Dentre eles a Galeria Nacional, o Museu Egípcio e o Museu de Pré-História e História Antiga. Entretanto, você nunca poderá dizer que esteve em Berlim se não conheceu o símbolo da cidade que situa-se num lugar onde parte da história do mundo foi escrita: o Portal de Brandemburgo.

Alemanha - Terra dos meus ancestrais, do meu irmão, das minhas sobrinhas e de muitos amigos.

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