sábado, 5 de março de 2011

Em tempos de guerra ou paz - a repetição dos fatos

Na Conferência de Paz (a segunda) convocada pelo Czar da Rússia e pela rainha da Holanda, 44 países foram convidados a participar. Quando o representante dos Estados Unidos opinou pela formação de uma corte permanente de justiça internacional, classificando-se os países em categorias conforme o poderio militar, o representante brasileiro insurgiu argumentando:

"Quanto a nós da América Latina, fomos convidados a entrar pela porta da paz. Por essa via tomamos parte nessa conferência. Começamos a ser conhecidos como operários da paz e do direito. Mas se nos decepcionarmos, se nos descorçoarmos desiludidos, com a convicção de que a grandeza internacional não é avaliada senão pelas forças das armas, então, por culpa vossa, o resultado da Segunda Conferência da Paz teria sido o de inverter o curso político do mundo no sentido da guerra, impelindo-nos a procurar através de grandes exércitos e nas grandes armadas o reconhecimento de nossa posição pretendida em vão pela população, pela inteligência e pela riqueza."

Olhando com mais atenção em nossa História a gente pode encontrar pérolas muito interessantes. Essa segunda Conferência da Paz foi em 15 de junho de 1907, o representante brasileiro era Rui Barbosa (na foto). Para essa atitude dele, penso que merece o nosso aplauso. Entretanto, é triste ver, em 2011, o desenrolar dos acontecimentos em prol da paz desde então.
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Literatura - Referência - Sugestão de leitura:
Anna de Assis: história de um trágico amor : Euclides da Cunha, Anna e Dilermando de Assis. Judith Ribeiro de Assis. Belo Horizonte, MG : Soler, 2006. Capítulo 9 - Tudo acontecia além do vôo da Águia de Haia. Página 48 - 13ª Edição Revisada.

Sobre a publicação da fotografia de Rui Barbosa contida neste texto:
A presente imagem faz parte do Domínio Público, pois de acordo com a Lei do Direito Autoral Brasileira (Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998): Artigo 44: O prazo de proteção aos direitos patrimoniais sobre obras audiovisuais e fotográficas é de setenta anos, a contar de 1° de janeiro do ano subseqüente ao de sua divulgação.

Este texto foi originalmente escrito por mim (Levis Litz) no Blog: O Pulgueiro: http://opulgueiro.blogspot.com/

Um comentário:

  1. "Muitos obstáculos tiveram de ser vencidos até o homem chegar ao estágio atual da civilização, em que se estabeleceu um acúmulo significativo de direitos. (...) Entretanto, na realidade das relações humanas, continuaram vigorando a lei do mais forte e as artimanhas dos mais astutos."
    Paulo Martinez da obra "Direitos de Cidadania - Um lugar ao sol".
    Editora Scipione. SP, 2001.

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