História de Viagem - Dahab, Egito: uma bela paisagem submarina

 

Atravessando a fronteira, saindo de Taba em Israel e entrando no Egito. Após passarmos pelas polícias fronteiriças pegamos um ônibus em direção à Nuweiba para uma rápida parada em visita aos amigos Othmar e Barbara, suíços que tínhamos conhecido em Eilat meses antes. Conversamos um pouco e seguimos viagem. Algumas horas mais tarde ouvimos o motorista árabe dizer: "chegamos".

Assim, pegamos nossas pesadas mochilas e descemos da carroceria do caminhão. Imediatamente fomos cercados por beduínos (nativos) que queriam levar hóspedes para suas "aconchegantes pousadas". Foi desta forma que entramos em Dahab, uma acolhedora aldeia de beduínos a beira do Mar Vermelho. Fomos, então, procurar um lugar para descansar e não foi muito difícil encontrarmos um cômodo, que tinha apenas dois colchões no chão, sem janelas, tudo muito simples. Em toda a aldeia os aposentos eram assim. Sem demora, nos instalamos e saímos para jantar.

Dahab se apresentou muito interessante, só havia luz elétrica nas lojinhas e restaurantes, onde se vendia artesanato típico e alimentos, tudo bem rústico. Na pousada onde estávamos e em todas as outras, não havia luz nos bangalôs, era tudo iluminado com velas, as quais nos deram, quando chegamos. Tudo era muito diferente, bastante antigo, fazendo-nos pensar que vivíamos em outra época. No restaurante que entramos para jantar, havia tanto tapetes no chão quanto nas paredes. Sem cadeiras, tivemos que sentar no próprio chão em torno de uma mesinha que ficava a 30 cm de altura. O garçom, que também parecia sair do século passado, nos trouxe o cardápio. Enquanto escolhíamos o que comer, comentamos entre nós que havia um número exagerado de moscas naquela região. Fizemos o nosso pedido e um pouco antes de sermos servidos, para nossa surpresa, o garçom serviu a cada um de nós, um mata-moscas. Agora, tente imaginar a cena: enquanto você come a sua macarronada com uma mão, espanta as moscas com a outra! Já era bem tarde, após a peculiar ceia noturna, nos recolhemos.


O dia seguinte seria pleno de descobertas e estávamos ansiosos em mergulhar nas famosas águas cristalinas daquelas famosas paragens. Amanheceu! Fazia bastante calor, vimos muitos camelos sentados "admirando" a praia, onde encontravam-se várias "tendas" e lojas para alugar equipamentos de mergulho. Alugamos um e fomos mergulhar. Realmente é muito difícil explicar a grandiosidade e a beleza da fauna marinha que estava ali, bem a nossa frente: centenas de peixinhos, todos coloridos, de vários formatos, alguns com listras, outros com faixas cintilantes, de todos os tamanhos e cores! O mar da região é fantástico, a água é muito transparente, parece um aquário gigante. Os peixes permanecem entre os corais, que estão a apenas 20 metros da areia da praia e, logo após os corais, existe um abismo, nem se enxerga o fundo do mar e é por aí que a gente fica nadando, observando toda aquela maravilha. É um mundo cheio de novidades para nós, simplesmente fascinante! A Valesca, que não sabia nadar muito bem, ficou o tempo todo mergulhando naquele fundão e não sentia medo algum. "É um espetáculo tão lindo, que acaba espantando o medo. Eu me senti o próprio Jacques Cousteau", comentou depois.

O observatório submarino e aquário que visitamos dias atrás, em Eilat, Israel, era interessante, mas não se comparava a Dahab, onde você também pode fazer parte do cenário apenas mergulhando. Passamos dois dias nadando e mergulhando, era simplesmente demais. Não cansávamos de apreciar tanta beleza até que, no terceiro dia, meu corpo não resistiu à alimentação egípcia e adoeci. Fiquei repousando o dia todo sem forças e nem vontade para fazer qualquer coisa. Sorte minha que naquela época não tinha assistido o filme "O céu que nos protege". Teria sido deprimente. Para quem assistiu, digo que vivi situação bem semelhante ao do personagem do filme, a diferença é que estou aqui para escrever esta história real. Então, o tempo em Dahab começou a piorar, o céu estava cinzento e ventava demais, parecia que o mau tempo se prolongaria. Aos poucos fui me restabelecendo e assim que pude colocar minha mochila nos ombros, partimos - deixando para trás esse insignificante ponto no mapa, mas que para nós significava um grande presente da natureza, uma lembrança realmente inesquecível. Quatro dias depois da chegada em Dahab, já estávamos a caminho do sagrado Monte Sinai - dos 10 Mandamentos.
 
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Comentários

  1. Comentário recebido de Deborah (Rio de Janeiro): "Fiquei com saudades de Dahab, para onde fui há anos atrás, e navegando na internet cheguei ao seu site. Impressionante como o seu relato se encaixa perfeitamente na minha experiência - poderia recortar e colar no meu
    diário (menos a parte em que você ficou doente, meu estômago reagiu melhor às "pastries" dahabianas)!!! Os beduínos cercando a kombi para oferecer estadia, os quartos de concreto e sem luz, os mergulhos... apesar de ser um tanto aversa a mergulho me senti em casa nadando com o snorkel e pé-de-pato alugados, e também me senti dentro do observatório de Eilat olhando aqueles peixes de todas as cores, formatos e tamanhos!!! Foi ótimo ter lido o seu relato e achado o seu site - vou agora conhecer seus outros rumos e fotos!"

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