sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Levis Litz entrevista o jornalista Heródoto Barbeiro

LL - O crescimento vertiginoso da violência e a corrupção que vemos aflorando em muitos segmentos institucionais do Brasil está se tornando amedrontador. Existe solução para uma real inversão desse quadro?
Heródoto Barbeiro - A curto prazo, não. Os indicadores sociais estão aí demonstrando isso. Mas é preciso plantar as sementes, e as melhores são aquelas que são cuidadas pelos cidadãos. É preciso um envolvimento total da sociedade enquanto cidadão, consumidor, fiscal, contribuinte, torcedor, membro de qualquer organização de qualquer caráter.

LL - Qual é o verdadeiro significado em ser um socialista nos dias de hoje?
Heródoto Barbeiro - Há muitos que se intitulam socialistas. Sempre foi assim, existiram socialistas de todos os matizes, respeitáveis em suas utopias. Contudo, entendo que não há socialismo sem distribuição da riqueza, que deve ser realizada com democracia e pacifismo.

LL - Tendo como referência a História do Homem e seu desenvolvimento como ser humano, para onde caminha a humanidade?
Heródoto Barbeiro - A humanidade caminha para o conhecimento de si mesma. Os seres humanos vão parar de procurar a razão de sua existência fora de si e vão encontrá-la onde nunca imaginaram. Vão entender que a vida é uma sucessão de instantes e que todos existem dentro da divindade e não fora dela. Este entendimento vai pôr por terra todos os paradigmas alimentados hoje e vão provocar profundas mudanças sociais e econômicas na humanidade.

LL - Muitos intelectuais afirmam que a solução da distribuição de renda tem que vir dos países ricos. Entretanto, a realidade mostra que os ricos estão cada vez mais ricos e os pobres, cada vez mais pobres. Existe alguma saída factível para este labirinto globalizado?

Heródoto Barbeiro -
A saída é a construção de uma utopia que todos pertencemos a uma mesma humanidade. Não há tranqüilidade, nem segurança, quando há fome e miséria. Os ricos não vão poder dormir, viver, viajar, nem usufruir de tudo o que acumularam se não houver paz. E a paz começa com a barriga cheia e uma idéia na cabeça. Portanto, não sobra aos ricos nenhuma outra saída se não construir uma nova sociedade onde caibam os pobres.


LL - Sobre o conflito entre israelenses e palestinos...
.... a quem interessaria essa crise nos moldes em que se encontra atualmente e qual seria o motivo?

Heródoto Barbeiro -
Interessa ao grande capital financeiro internacional e às empresas exploradoras de petróleo. O conflito empurra os imperialistas a agir na área e garantir as fontes de fornecimento do produto.


... quem lucra com essa situação crítica que parece não ter fim?

Heródoto Barbeiro -
O capitalismo informacional, ou cybercapitalismo.


... qual é a sua avaliação da cobertura jornalística, no Brasil, sobre esse conflito?

Heródoto Barbeiro -
Muito fraca. Salvo raras e honrosas exceções, limita-se ao noticiário quando há grandes tragédias ou golpes de marketing político.

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Heródoto Barbeiro  - Autor de vários livros, foi professor de História por 20 anos. Como jornalista, foi âncora do Jornal da Central Brasileira de Notícias (CBN). Página na Internet: http://www.herodoto.com.br







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Nota : Esta entrevista foi concedida ao jornalista Levis Litz - editor do Jornal Entretanto, em 2004.

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