terça-feira, 3 de janeiro de 2012

História de Viagem - Buenos Aires: uma cidade sedutora


Buenos Aires. Fotos/Acervo: Levis Litz
 Nascida sobre o Rio da Prata, Buenos Aires cresceu com uma identidade própria. Porta de entrada para um fascinante país a ser descoberto, orgulha-se do life-style dos seus habitantes. Surgiu pela primeira vez em 1536 e foi abandonada devido aos violentos ataques dos índios. Fundada em 1580 por Juan de Garay, transformou-se futuramente numa gigantesca metrópole com a chegada de imigrantes de todas as partes da Europa: ingleses, austríacos, alemães, poloneses, escandinavos, suíços, eslavos, franceses, italianos e espanhóis.

A caminho do sul

Dizem que na Argentina todos os caminhos levam a Buenos Aires e após três dias de viagem de motocicleta, partindo de Curitiba, Valesca e eu, chegamos na capital portenha. Pouco antes tínhamos atravessado uma enorme ponte vendo o sol se pôr no horizonte. Era uma sexta-feira, tentávamos nos concentrar nas placas que indicavam o centro da cidade e quando percebemos, estávamos na Avenida 9 de Julho, totalmente envolvidos pelo trânsito conturbado de Buenos Aires, dando volta num enorme obelisco. Cansados, procurávamos por um hotel próximo ao café mais tradicional de Buenos Aires - o Café Tortoni.

Hábito portenho

A cerca de nove quarteirões do Congresso argentino, situado na Avenida de Mayo, encontrei o ponto que nos serviu de referência, o Café Tortoni: um café frequentado diariamente por centenas de pessoas que degustam o delicioso leche merengado com creme, claras batidas em neve e canela, ou que preferem tomar um café expresso, ou ainda que vão para admirar os espetáculos diários de jazz ou de outro fascinante ritmo particular, que teve uma origem incerta no início do século - o tango.

Assim, Buenos Aires, abriu-se para nós: uma cidade agitada, bonita e com uma arquitetura impressionante, com uma infinidade de coisas para ver e fazer - se você tiver tempo e dinheiro.

A experiência de viajar constantemente, ensinou-nos que para conhecer uma cidade, seja Roma, Cairo, Jerusalém, Berlim ou Amsterdã, o melhor a fazer é deixar o veículo, carro ou motocicleta de lado, ou melhor, estacionado e seguir a pé. No coração da cidade, caminhamos pela Avenida de Mayo até encontrarmos a Calle Florida, que é a principal rua de comércio, onde existe a maior concentração de pessoas e de lojas. É fácil se deslocar de um lado ao outro da cidade, seja pela altíssima concentração de táxis (pretos e amarelos) que circulam e que se esbarram em cada esquina, seja pelo uso do metrô ou subte como os habitantes locais o chamam.

Valesca e eu passamos vários dias em Buenos Aires e aproveitamos bastante nossa permanência. Todos os dias saíamos para conhecer um pouquinho mais a cidade. Enquanto isso, aguardávamos a chegada do meu primo do Brasil: Ricardo Faria e sua namorada. Fomos juntos para La Boca, um bairro pitoresco portenho de origem marinheira, marcado pela presença de imigrantes italianos e suas típicas construções mescladas com chapas de zinco que podem ser admiradas na Calle Caminito, onde as casas coloridas, as construções irregulares e as roupas nos varais constituem um belo cenário. La Boca também é conhecida por seus bares e pela localização do estádio de futebol do Club Atletico Boca Juniors.

Amarga lembrança

Ao visitarmos a Plaza de Mayo, importante cenário da história dos argentinos, não deixamos de observar as marcas no chão de contornos dos corpos dos filhos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país e de desenhos de lenços que eram usados pelas mães e as avós que se reuniam para pedir informações sobre seus amados filhos e parentes. Em 1983, os militares declararam mortos todos os desaparecidos. Mesmo após ter visto muito, em Buenos Aires há sempre muito mais por descobrir. A cada história, monumento, teatro, feira e peculiaridade conhecida surgiam muitas outras por conhecer. Entretanto, Buenos Aires é uma metrópole, semelhante a qualquer outra grande cidade da América do Sul com seu barulho constante, sujeira e stress. Foi um prazer estar em Buenos Aires, mas foi uma alegria maior deixar a Rainha do Prata para pegar a estrada de novo e reencontrar os belos campos verdes que acompanham as boas estradas argentinas.

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Nota: este texto reflete fielmente os fatos quando publicado, entretanto, alguns de seus dados podem ter sido alterado com o tempo. Certifique-se de obter informações atualizadas por outras fontes antes de tomar este texto como referência.
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Um comentário:

  1. Comentário recebido pelo FaceBook de Lorena Maggio: "está muito legal!!!"

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