| Jardim Botânico, 2005. Curitiba, PR. Foto: Acervo/Levis Litz |
Acredito, ao que concerne ao Tai Chi Chuan, que tudo é uma ressonância da busca interna de cada um: alguns necessitam saber mais, ir mais além, já outros se contentam com o que recebem. Por mais que o professor instigue, para muitos alunos e praticantes novatos de Tai Chi Chuan (Taijiquan) não é relevante se o que praticam é do estilo Chen, Yang, Wu/Hao, Wu ou Sun das linhas tradicionais das famílias, se é original ou híbrido, se é deste ou daquele mestre, isso porque buscam seus resultados práticos, que também permeiam seus interesses pessoais, seja no aspecto marcial, resultados terapêuticos, competições ou modismos. Isto é, para muitos, o que interessa é se estão satisfeitos e felizes com o que fazem e adquirem. É claro que ainda há aqueles que são mais “buscadores”, querem compreender e sentir o “intangível” - se unir ao indefinível Tao.
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| Foto: Acervo/Levis Litz |
Vejamos o exemplo de quem aprende direto com um chinês que não sabe o idioma do aprendiz: a transmissão teórica pode cair por terra devido ao não entendimento cognitivo entre professor-aluno. Por outro lado, no mundo atual, as oportunidades são infindáveis com a aplicabilidade e utilidade da tecnologia, tornando-se um buscador aquele que quiser se tornar um. Uma das coisas que aprecio no Tai Chi Chuan é justamente as infinitas e maravilhosas possibilidades que ele nos apresenta. Se você quer apenas uma ginástica, você encontra, se você quer seguir uma filosofia de vida, que vai desde amarrar o cadarço do seu tênis, passando pela postura mais leve ao caminhar, até o momento mais sublime do seu dia-a-dia, o Tai Chi Chuan também lhe proporciona isso. Sobre as alterações das práticas, elas são inevitáveis (não quero dizer que aprecio), mas fazem parte da condição da mutação intrínsica do ser humano que é resultado do meio cultural ao qual está inserido.
| Praça do Japão. Curitiba, PR. Foto: Acervo/Levis Litz |
Sou veementemente a favor de que se pratique Tai Chi Chuan de forma perene pela razão que cada um deve encontrar em si mesmo. Como um amigo, Anderson Rosa, uma vez bem disse: “vale à pena também ver se a atitude pessoal do instrutor perante a vida corresponde ao equilíbrio esperado no Tai Chi”. Isso me faz lembrar dos anos 80, quando um grupo ao qual pertencia pensou em contratar um professor de kung-fu. Buscávamos alguém que seguisse os nobres e preciosos preceitos da filosofia Kung-Fu. O professor, ao ser indagado sobre isso, afirmou que sim, mas o que pudemos observar na entrevista foi que se comportava exatamente ao contrário, ou seja, as suas palavras eram a contradição do que o seu comportamento corporal deixava a mostra. Ele não foi contrato, então, por acaso do destino, não é que acabamos encontrando um discípulo direto do Mestre Liu Pai Lin e começamos a aprender o Tai Chi com ele?
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| Tai Chi Chuan - Praticantes ao fim de um seminário em 2010. Curitiba,PR. Foto: Acervo/Levis Litz |
Acho que a melhor referência de um professor é ele mesmo, o seu comportamento revela nitidamente isso. Desta forma vê-se se ele está realmente “conectado” com o que ensina. Pode acontecer também de na “minha terra eu ser um cego e o meu professor ter um olho só” - nesse caso ele será meu “rei” por enxergar melhor do que eu - não é assim que funciona? Quem sabe mais ensina o que sabe menos, até o aprendiz se tornar mestre. É claro que tudo é muito relativo e leva a apaixonantes e proveitosas discussões. Em suma, como está escrito no livro “T´ai-chi Touchstones: Yang Family Secret Transmissions, “Se alguém pratica Tai Chi uma vez por dia, vai ter os benefícios de um dia de prática, se pratica sete dias por semana, terá seus benefícios multiplicados por sete”. Penso que é o praticante que define o que quer para si, a qualidade do Tai Chi Chuan que irá aprender depende de onde ele for buscar. É isso aí, boa prática!.
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-> Artigo publicado na Revista Tai Chi Brasil (www.RevistaTaiChiBrasil.com.br), Edição nº 10.
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