quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Viajantes: o desejo de deixar o previsível


Morro do Anhangava, Paraná.
Fotos: Acervo Emerli Schlögl

Fotos e Rumos entrevista
a psicóloga Emerli Schlögl

Por Giulia Fontes

Em conversa com a viajante Emerli Schlögl - visitante de horizontes distantes como a Índia (Hampi e Madras), o Peru (Machu Picchu) e o Nepal (Katmandu) - Fotos e Rumos desvenda as motivações dos viajantes e o aprendizado que se pode obter de tais jornadas.

Fotos e Rumos - Qual foi sua viagem mais marcante?
Emerli Schlögl – Foi a primeira vez que fui à Índia. Fui profundamente marcada pelos aromas, pessoas, cores e sons da Índia. Encontrei muita vida e vi imagens que ficaram gravadas em minha memória como obras de arte.  

Fotos e Rumos - O que motiva alguém a ser um viajante?
Emerli Schlögl - A gente viaja porque é curioso, porque quer aprender, porque sabe que as pernas e o corpo todo querem movimento, querem cruzar fronteiras. A cabeça quer descansar não apenas em travesseiros, mas também em troncos e pedras. As mãos querem afagar o vento em seus quatro cantos e por saber-se viajante na própria vida nos sentimos atraídos pelos caminhos do mundo.

Fotos e Rumos - O que é preciso para se tornar um viajante?
Emerli Schlögl - É preciso sentir-se disposto, alegre com a ideia de ir. É preciso não se importar tanto com deixar o conforto do lar e do previsível. Enfim, mesmo que desconheçamos este fato todos nós somos viajantes. Pois, uma vez que deixamos o ventre materno, já nos colocamos na vida e nos caminhos e todos nós já percorremos inúmeros itinerários.

Fotos e Rumos - Como conciliar o cotidiano com as viagens? Suas experiências como viajante modificaram a sua forma de trabalhar e de fazer tarefas rotineiras?
 Emerli em visita ao Templo dos Mil Pilares, Índia.
Emerli Schlögl - O cotidiano, previsível e planejado é o outro lado da história, e uma história sempre tem dois lados. Não é mesmo? Não precisamos conciliar nada, o todo pressupõe que os opostos, os paradoxos coexistam em nós e fora de nós. Certamente, viajar nos ensina muito! Incorporamos cada pedacinho de experiência de viagem a toda uma vida que tivemos e ainda teremos.


Fotos e Rumos - É possível identificar diferenças entre o comportamento de um viajante e o de uma pessoa comum, no dia a dia?
Emerli Schlögl -
O viajante também é uma pessoa comum, todos somos comuns, por mais que sonhemos em nos diferenciar, em sermos especiais por um motivo ou por outro. Mesmo quem nunca saiu de sua cidade pode ser um viajante. Me lembro de viagens que fiz na infância e que marcaram profundamente minha vida. Principalmente as viagens que fiz ao terreno baldio que ficava ao lado da casa de meus pais, recordo dos buracos no chão, do cheiro da grama, das cabras saltitantes, da flor que ficava à altura de meus olhos enquanto eu deitada na terra a contemplava em seus detalhes. Esta viagem foi muito importante em minha formação e marcou meu comportamento para sempre. Somos todos viajantes comuns e temos nossos comportamentos modelados por todas as paisagens que nos penetraram os ossos.

Mangalore, Índia.
Fotos e Rumos - O que um viajante pode aprender a partir do contato com culturas diferentes?
Emerli Schlögl -
Além de treinar sua própria flexibilidade o viajante pode aprender que o mundo é plural, que a verdade é relativa e pessoal, que existe beleza para além da própria perspectiva narcisista que faz com que não reconheçamos os valores daqueles que são diferentes, ou ainda evitar que caiamos na ilusão, também narcísica, de sermos superiores e melhores.

Fotos e Rumos - Muitos viajantes conhecem seus destinos apenas pelas janelas de hotéis, limitando-se a visitar pontos turísticos. Esse tipo de viagem é relevante como aprendizado? Conviver com nativos, vivendo seu cotidiano e seus dilemas diários, torna a visita mais proveitosa?  Não podemos e não temos o direito de julgar os outros em suas opções a atitudes, desde que estas não impliquem em causar danos a outrem. As escolhas e aprendizados na vida são peculiares a cada um. Viver com os nativos é ótimo para quem assim o desejar, ou ficar contemplando da janela de hotel também pode ser muito bom para aquele que assim deseja. Cada pessoa comum é também especial e única, este é seu outro “lado da moeda”, portanto suas atitudes e escolhas devem ser respeitadas.

Fotos e Rumos - Algo mais que você gostaria de dizer ao nosso leitor?
Emerli Schlögl - Você já é um viajante, e as viagens são escolhas suas, siga sua rota e boa viagem!

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Emerli Schlögl -
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