segunda-feira, 4 de abril de 2016

Não se pode mais exercer o nosso direito constitucional de emitir opinião em nosso país?

Bye-Bye Brazil! Says Democracy?

Pois é gente...  que triste...  não há como não se manifestar... 

A falta de respeito à opinião alheia está correndo à solta neste país. Isso já está mais do que notório. Amigos ou não, engatilham suas balas na língua e disparam disparates a revelia. Ódio sendo potencializado por uma mídia pobre de espírito, mas rica de... din-din! Esse sentimento viralizou para todos os cantos. Parabéns políticos, parabéns grandes corporações, parabéns grandes mídias! 

Olha o que aconteceu... Uma professora manifestou sua opinião em sua PÁGINA PESSOAL em uma rede social e...  foi execrada por alguns pais de alunos. Foi tão intenso que ela pediu demissão da instituição. 

Num ato de solidariedade, professores de um renomado colégio de Curitiba, ao qual ela pertencia, fizeram uma carta de apoio ao diálogo e pelo respeito aos educadores.

É bom termos em mente que execrar publicamente uma pessoa pelas suas escolhas, sejam religiosas, sexuais, ideológicas, politico/partidárias, entre outras, é querer cercear, pela violência intrínseca, os direitos de um cidadão livre que vive em uma democracia. 

Caluniar alguém concede o direito ao cidadão atacado em processar o caluniador. Ninguém precisa concordar ou aceitar a opinião do próximo, mas deve respeitar suas escolhas e convicções. Se não for pelo bom caráter de ser um humano, então que seja pelas prerrogativas da lei!

Perguntamos, cadê o respeito, cadê a humanidade? Cadê a liberdade de expressão? 
Cadê a democracia? E a lei, por onde anda? Trocando atos por cascalhos?

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CARTA DE APOIO AO DIÁLOGO E PELO RESPEITO AOS EDUCADORES

Cada um de nós, abaixo nomeados, educadores do Colégio Nossa Senhora Medianeira, chegamos e permanecemos nesta instituição devido a um percurso individual, acadêmico e profissional que deve ser respeitado por toda a comunidade escolar. Através desta carta, manifestamos publicamente nossa posição em defesa das instituições democráticas e do Estado Republicano de Direito, uma conquista historicamente construída, e pelo fim da virtualização das relações com a comunidade escolar, que tem desumanizado as pessoas (pais e mães, alunos e alunas, educadoras e educadores).

Manifestamos também nosso apoio inconteste à colega e professora de História do 9º ano, que foi execrada virtualmente por ter-se posicionado politicamente, em seu perfil pessoal do Facebook. A professora, sua biografia, seu percurso, seu engajamento no exercício de uma docência preocupada com a formação integral, cidadã, solidária e não meramente técnica de nossos alunos e alunas, contudo, foi mal interpretada e alvo de uma série de comentários em um grupo, na mesma rede social, e em seu perfil pessoal, com xingamentos à educadora e até ameaças. De modo geral, os integrantes do grupo afirmavam que tal análise fosse doutrinação partidária, ainda que a educadora não tenha agredido a imagem de nossos estudantes ou da instituição, jamais os identificando e os expondo no ciberespaço, mas simplesmente compartilhando uma de suas impressões sobre o contexto atual. Ela estava somente exercitando, pois, em espaço não institucional, sua liberdade de expressão sem qualquer intenção de cercear direito alheio similar.

É evidente que, como em todos os espaços democráticos, dentro desta instituição de ensino, tal como, arriscamos dizer, em qualquer outra, não há unanimidade, nem é o que se busca, tanto entre os educadores e profissionais quanto entre os educandos e suas respectivas famílias. Conviver harmoniosamente e respeitar as diversas liberdades de expressão é uma convicção que reiteramos por meio desta carta. Ou seja, esse foi um episódio entre tantos que já ocorreram e que, esperamos, não se repitam, pela escassez analítica e reflexiva de quaisquer das partes, típica das redes sociais e contrárias ao estímulo do conhecimento escolar.

Portanto, neste momento de crise e polarização do contexto político brasileiro, é de suma importância ressaltar que durante o exercício da docência da professora não houve sequer um episódio que respaldasse tal falta de respeito. Segundo a Constituição de 1988, as liberdades de expressão e manifestação devem ser asseguradas e o dissenso, próprio à democracia, também, levando em consideração a ampla defesa e a presunção da inocência. Ou seja, tal cerceamento desconsidera o Poder Judiciário e a função social da educação e do professor.

O meio virtual não pode ser uma ferramenta de exposição indevida de qualquer pessoa. Reconhecemos a importância do ciberespaço como local de difusão de conhecimento, fusão de culturas e mesmo democratização de saberes. No entanto, certos usos desse meio têm desumanizado nossas relações. Se alguém não concordou com a postagem feita pela referida professora, tem canal aberto para uma conversa pessoal e não virtual, que muitas vezes não nos permite o direito de resposta. Isso vale para qualquer situação: aulas, materiais, tarefas. Grupos virtuais devem servir para troca de informações, campanhas, companheirismo, mas não para execrar, desqualificar, desumanizar ou ameaçar uma pessoa.

Vale ainda ressaltar que a escolha do currículo das diversas disciplinas e etapas escolares não é arbitrária, pelo contrário, é pautada pelo MEC (Ministério da Educação), pelos princípios da educação inaciana e pelo Projeto Político Pedagógico do Colégio Nossa Senhora Medianeira. Logo, enquanto educadores, assumimos um compromisso com a formação da e para a cidadania: na justiça social, no direito à vida digna, no compromisso com o planeta como nossa casa, na formação de pessoas críticas e comprometidas com seu tempo e lugar e, consequentemente, na formação de pessoas que respeitem o outro e sejam conscientes do seu compromisso com um mundo solidário. Isto é, na formação de pessoas competentes acadêmica e humanamente.

Finalmente, como cidadãos, mas sobretudo como educadores, manifestamos nosso apoio à professora, na esperança de que o respeito à pluralidade e diversidade nos espaços formativos seja garantido, por meio de embasamentos teóricos sólidos, gerando espaços de reflexão responsivos. E, acima de tudo, esperamos que o respeito à vida, ao outro, à dignidade, aos direitos fundamentais de todos os cidadãos brasileiros sejam preservados mesmo em meio ao contexto conturbado atual, a fim de evitar a perda de conquistas democráticas e republicanas de difícil e lenta gestão em nossa História nacional. Trabalhamos, diariamente, para a construção de um mundo justo, solidário e capaz de transformar a alteridade como máxima de vida.

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